Também conhecido como Terra do Sol Nascente, o Japão é um país arquipélago de 6.852 ilhas, cujas quatro maiores são Honshu, Hokkaido, Kyushu e Shikoku, representando em conjunto 97% da área terrestre nacional. A maior parte das ilhas é montanhosa, com muitos vulcões como, por exemplo, o pico mais alto japonês, o Monte Fuji. O Japão possui a nona maior população do mundo, com cerca de 128 milhões de habitantes. A Região Metropolitana da capital Tóquio é a maior área metropolitana do mundo, com mais de 30 milhões de habitantes.
O país possui um padrão de vida muito alto, com a maior expectativa de vida do mundo e a terceira menor taxa de mortalidade infantil.
A seguir serão apresentados os 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e a relação da situação de cada um no país:
1º Objetivo
Algo que pode soar estranho, mas que é a mais pura realidade, é falar de pobreza no Japão, já que é um país tão desenvolvido e por muito tempo considerado um país igualitário. O índice de pobreza no país aparece em torno dos 15,7%, sendo que, é uma realidade dura de ser identificada, pois muitas das pessoas que aparecem abaixo desta porcentagem, tentam manter a aparência por medo da rejeição da sociedade a elas. Especialistas dizem que, por causa de anos de desregulamentação no mercado de trabalho e de competitividade com a China, que oferece salários mais baixos, trouxeram uma proliferação de trabalhos mal remunerados no Japão. Outra coisa preocupante, é que estatísticas mostram que uma em cada sete crianças vivem abaixo da linha de pobreza.
Em 2001, o Japão teve uma queda em suas atividades econômicas, já que houve uma demanda interna sem muito dinamismo, deflação, a continuidade do fardo de dívidas podres carregado por bancos japoneses, além de fatores internacionais que incluíram uma redução nas exportações japonesas causada pela deterioração da economia norte-americana. A taxa de desemprego, que era de apenas 2,1% em 1990, subiu para 4,0 em 2008.
Outro dado alarmante, é que, o continente em que está localizado o país, conta com aproximadamente 260 milhões de pessoas que passam fome, é a segunda região mais afetada.
2 º Objetivo
Relacionando-se agora o país com a educação, o Japão conta com um aproveitamento de 100% no ensino fundamental, enquanto no ensino médio há um aproveitamento em torno de 94% e no nível superior 40%. Ou seja, são dados plenamente satisfatórios ao segundo objetivo de desenvolvimento do milênio, o qual declara que pelo menos o ensino básico deve estar atingido pela população.
Estes ótimos resultados apresentados pelo país na educação, estão relacionados com o fato de o sistema educacional japonês enfatizar a colaboração, a disciplina em grupo e a obediência aos padrões estabelecidos, produzindo uma força de trabalho industrial bem treinada.
E em 2008, as diretrizes curriculares foram revisadas para melhorarem a educação básica através da promoção de habilidades e conhecimentos gerais e do aumento do número de horas de aula. Diretrizes que foram introduzidas no ano escolar de 2012 nas escolas de ensino primário e, neste ano nas de ensino fundamental. Ou seja, diferentemente deste país, o governo japonês realmente se preocupa com a educação, pois tem consciência que uma boa educação resulta no crescimento do país, já que com profissionais bem classificados isso é fato.
3 º Objetivo
O Plano Básico para Igualdade de Gênero aprovado pelo Gabinete no ano de 2000, apresenta os seguintes 11 objetivos : Expandir a participação das mulheres no processo decisório e de formulação de políticas; Rever os sistemas e práticas sociais e promover a conscientização a partir de uma perspectiva de igualdade de gênero; Garantir igualdade de tratamento e de oportunidade no mercado de trabalho; Estabelecer a igualdade de gênero nas áreas rurais; Apoiar os esforços de homens e mulheres para conciliar o trabalho com a vida familiar e comunitária; criar condições que permitam aos idosos viver com tranquilidade; Eliminar todas as formas de violência contra a mulher; Apoiar a saúde ao longo da vida para mulheres; Respeitar os direitos femininos na mídia; Melhorar a educação e aprendizagem que promovem a igualdade de gênero e facilitam a diversidade de escolha; Contribuir para a “igualdade, desenvolvimento e paz” da comunidade global.
Ano passado, cerca de 48,2% das pessoas empregadas nas indústrias japonesas eram mulheres. O que caminha de acordo com o terceiro objetivo de desenvolvimento do milênio, que é o de promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres.
O crescimento feminino na área do trabalho está associado ao fato de que a maioria destas mulheres aceitam trabalhar por meio período, por outro lado, com isso, suas posições dentro das empresas acabam sendo inferiores a dos homens, fazendo-nos concluir que ainda existe uma barreira a ser quebrada por elas. Muitas das pessoas do país continuam com o pensamento de que as mulheres devem cuidar da casa e dos filhos apenas, devem arrumar emprego para o simples fato de complementar a renda e, por este motivo muitas das mulheres desistem de trabalhar fora por causa da carga horária exaustiva. Em 2008, o Japão apareceu em 54° lugar no ranking da ONU (Organização das Nações Unidas) que analisa a igualdade de homens e mulheres na sociedade.
Então, embora o Japão apresente um número maior de mulheres empregadas em relação a épocas anteriores, em matéria de igualdade de gênero, está um pouco atrasado comparado a outras potências econômicas.
4 º Objetivo
Japão aparece com um índice de aproximadamente 3,4 mortes em cada 1000 crianças nascidas, favoravelmente ao 4° ODM, que é o de reduzir a mortalidade na infância e classificado como tendo a terceira menor taxa de mortalidade infantil do mundo, perdendo apenas para Islândia e Cingapura. O Japão apresenta um alto IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), um dos fatos contribuintes para que ele apareça dentre os países com menores índices de mortalidade na infância. Uma das principais razões pelas quais o país apresente dados como este, é que constantemente o governo japonês promove campanhas de conscientização da população quanto à saúde e check-ups nas escolas e empresas e, em 2008, pesquisas apontaram que praticamente 100% da população tinha acesso a água potável.
5 º Objetivo
O 5° ODM é considerado a base de todos os outros objetivos. A saúde materna e os cuidados com a saúde são extremamente importantes e determinantes para a sobrevivência neonatal. O Japão apresenta grande redução na mortalidade materna desde 1950, este resultado foi atingido graças a introdução de agentes de saúde comunitários, que ofereciam atendimento de saúde consistente desde a gestação até o momento em que a criança começava sua vida escolar. E, em 2005, as taxas de mortalidade materna foram reduzidas de tal forma, que o país é considerado como tendo um dos menores índices de mortalidade do mundo. A taxa de mortalidade japonesa é de aproximadamente 6,5/100 mil nascidos vivos.
Uma informação interessante é que os partos cesarianos, correspondem, mais ou menos 13% do total de partos, sendo que no Brasil este percentual aparece em 45% nas instituições públicas e em 90% nas instituições particulares. Um dos motivos desta grande diferença, é que existem no Japão as chamadas “casas de parto”, no país existem cerca de 300, são instituições de saúde de nível primário cujas atividades consistem em assistência à mãe, durante a gestação e parto; ao recém-nascido, apoio ao aleitamento materno até o desmame e apoio ao planejamento familiar e educação sexual. Ou seja, mesmo sendo um país com grandes tecnologias, possui atitudes simples que dão ótimos resultados e contribuem para o bem da população, principalmente, neste caso, das mães e recém-nascidos.
6 º Objetivo
O combate a aids/HIV, malária dentre outras doenças, corresponde ao 6° ODM. Segundo especialistas, apesar da qualidade de ensino no Japão ser excelente, relativo à educação sexual o ritmo está lento. Em 2006, foram identificados 952 casos da doença, mas em 2011, o número de casos registrados teve uma diminuição, 469, sendo que 93% deste todo são homens. O meio mais comum de contrair a doença continua sendo por meio da relação sexual, principalmente entre pessoas do mesmo sexo. No Japão, aids/HIV é considerada doença comumente encontrada em estrangeiros e homossexuais, o que é, logicamente preocupante.
Outra doença muito perigosa, e que aponta o Japão como tendo um dos maiores índices da doença, é tuberculose. A doença se alastra, principalmente, entre os idosos. Para evitar o aumento da doença, os postos de saúde japoneses procuram realizar exames e dar assistência medicamentosa aos enfermos, além de exames de tuberculose as pessoas as quais mantêm contato.
Uma das explicações para o alto índice de doenças infecciosas no país está relacionada com o fato de as pessoas mudarem o estilo de vida, de as cidades estarem mais populosas, dentre outros fatores. O Japão detentor de várias tecnologias, deve apressar-se em apresentar soluções para que haja diminuição da ocorrência de tantas doenças, já que o prazo de cumprimento das ODMs se aproxima e, enquanto isso, a população só aumenta, e não sendo tratado de maneira correta, o surgimento de novas doenças e a ocorrência de outras já existentes, também aumentaram.
7 º Objetivo
Garantir a sustentabilidade ambiental é o 7° ODM. Tratando-se deste assunto, o Japão apresenta pontos positivos, tenta conciliar seu crescimento econômico com a preservação ambiental, o que é uma ótima iniciativa, já que o país tem uma economia forte e que cresce rapidamente.
O terremoto no país em 2011 e a explosão da estação nuclear Fukushima-1, fez com que muitas pessoas repensassem a política energética adotada pelo país, assim, as chamadas energias renováveis passaram a ganhar maior interesse, como a captação de energia solar, energia eólica, energia geotérmica e biomassa.
Seguindo neste mesmo objetivo de poupar energia, a indústria japonesa, depois de sofrer duas crises petrolíferas, tomou medidas drásticas quanto a isso, e, hoje em dia o país apresenta a melhor taxa de eficiência energética do mundo.
Para garantir a sustentabilidade, o Japão também tem ações quanto gerenciamento do lixo e a reciclagem, pois um país que possuí economia e população com forte crescimento desde a década de 1960, logicamente produz resíduos em larga escala. Só em Tóquio, a população é de aproximadamente 8,9 milhões, que produzem cerca de 2,87 milhões de toneladas de lixo por ano. E para controlar tudo isto, muitos municípios japoneses adotaram várias medidas como solução, por exemplo: introdução de sistemas de coleta seletiva de lixo e criação de usinas incineradoras. Com isso, o lixo pode ser separado entre o que pode ser incinerado e o que pode ser reciclado, diminuindo então o risco de poluição. E quanto a separação de lixo feita, materiais eletrônicos, por lei, não podem ser jogados em qualquer canto, assim, as partes que podem ser reutilizadas de televisões e computadores, por exemplo, são separadas manualmente.
Em 2000 foi estabelecida a lei de Estabelecimento de uma Sociedade dos Ciclos Materiais, com o intuito de Reduzir, Reutilizar e Reciclar, os “3R”. Ganhou mais metas no decorrer dos anos para garantir a sustentabilidade e, reforçou a ideia do Japão como liderança na área.
8 º Objetivo
Como país desenvolvido, relativo ao ODM 8 de estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento, o Japão procura realizar diálogos sobre a política concreta de uma base bilateral para responder às grandes necessidades dos países em desenvolvimento, paralelamente a esforços multilaterais, tal como Diálogo para a parceria sobre o Crescimento do baixo Carbono no Leste Asiático e a Estratégia de Crescimento Verde para a África, e apoiar a elaboração e a implementação de estratégias para o crescimento verde considerando totalmente as condições, assuntos e necessidades de cada país para a introdução de políticas e tecnologias.
O país também tem por objetivo apoiar programas de capacitação em países em desenvolvimento para alcançar as Metas de Biodiversidade Aichi nos próximos quatro anos através do Fundo Japonês para Biodiversidade. E através da UNESCO apoia iniciativas de Educação para o Desenvolvimento Sustentável (EDS) em todo o mundo, com o intuito de realizar em seu território a Conferência Mundial em 2014 sobre EDS aliado a UNESCO. Como país doador, ou seja, com o intuito de contribuir com uma ajuda relativa aos países menos avançados, em 2009 o Japão ao lado de EUA, Alemanha, França e Reino Unido, fora considerado um dos maiores doadores, segundo a ONU.
Este ano mesmo, Japão estava negociando com a União Europeia (UE), um Acordo de Parceria Econômica (APE) / Acordo de Comércio Livre (ACL), baseados na perspectiva de ambição de cada país, assim o APE/ACL deverá ser completo e abrangente de maneira que possa contribuir para o desenvolvimento dos países da EU, do próprio Japão e claro, dos países do resto do mundo. Deverá garantir também uma base jurídica que promova uma parceria reforçada na abordagem de questões globais e bilaterais, enquanto parte de uma contribuição comum para a estabilidade, a segurança e o crescimento sustentável a nível mundial.
O papel do Japão no Brasil é de grande importância e, através do JICA (Agência de Cooperação Internacional no Japão), o Brasil recebe apoio do país asiático, e hoje em dia a assistência financeira que o país promove ao Brasil ultrapassa os 4 bilhões de reais. As áreas prioritárias de cooperação com o Brasil são: Ambiente e promoção da cooperação triangular.
O Japão também faz parte de um importante grupo chamado OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), o qual tem por objetivo manter a estabilidade financeira dos países-membros, proporcionar crescimento econômico e melhorar o padrão de vida da população, além de contribuir para o desenvolvimento da economia mundial.
Enfim, o Japão possui ótimas bases para fazer sua economia avançar cada vez mais e tem a possibilidade de fazer parcerias com outros países menos desenvolvidos podendo colaborar financeiramente para a economia destes, para que assim haja um crescimento satisfatório na escala mundial de maneira a atingir também a oitava meta do milênio imposta pela ONU.
REFERÊNCIAS:
REFERÊNCIAS:
http://www.br.emb-japan.go.jp/65onu.html http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/06/120618_japao_longevidade_bg.shtml
