OBJETIVO 1: Erradicar a extrema pobreza e a fome
A Rússia ocupa o terceiro lugar no mundo pelo número de bilionários, e o 13º pelo número das maiores empresas.
Considerada integralmente as fortunas dos bilionários russos, estas alcançam quase a metade do valor das maiores empresas nacionais. Em comparação, nos Estados Unidos esta soma atinge apenas seis por cento.
A Rússia, como qualquer outra grande potência econômica, foi atingida pela crise global. Sua economia encolheu 9,5% no primeiro trimestre do ano de 2009. Milhões de dólares precisaram ser injetados no setor bancário.
Em 2009, cerca de 25 milhões de russos viviam abaixo do limiar da pobreza, ou seja, mais 30 por cento do que no ano anterior. Dados oficiais do governo indicam que a renda média dos mais ricos é 15 vezes superior à dos mais pobres no país. Em Moscou, a discrepância é ainda mais gritante: os mais pobres ganham, em média, 53 vezes menos, o que vem insuflando manifestações públicas e protestos populares contra a desigualdade social resultante da introdução do capitalismo na ex-União Soviética.
Segundo o Banco Mundial, 22% da população russa - estimada em 148,893 milhões de pessoas - vivem abaixo do nível da pobreza, definido pela renda mensal de 1.000 rublos, o correspondente a 29 euros ou 38 dólares.
Cálculos do Banco Mundial divulgados em julho de 2006 sugerem que um decréscimo médio de 10% da renda familiar implicaria numa elevação de 50% na taxa de miséria na Rússia.
Há mais bilionários na Rússia do que em qualquer outro ponto do mundo. Os ativos totais destes 36 russos mais ricos equivalem a cerca de 125 bilhões de dólares – quase 17% da produção nacional. Considerada integralmente as fortunas de todos eles, estas alcançam quase a metade do valor das maiores empresas nacionais. Em comparação, nos Estados Unidos esta soma atinge apenas 6%. O maior quinhão dos controles acionários das grandes empresas russas também se encontra nas mãos de uma diminuta porção social. De acordo com o Banco Mundial, em 2003, os 23 maiores grupos empresariais detinham 57% de toda produção industrial do país, proporcionalmente ao PIB do país (763,7 bilhões de dólares, em 2005).
Em Março de 2010, Rússia se uniu ao Brasil, Índia e China para combater a fome, eles assinaram um pacto para calcular a produção e criar reservas nacionais de grãos. As economias emergentes do BRIC produzem 40% do trigo mundial, metade da carne suína e um terço da carne de frango e bovina. A produção dos quatro países equivaleu a 22,4% de tudo que foi produzido no mundo em 2008. A Rússia, que em 2009 sediou o primeiro Fórum Mundial de Grãos, está se posicionando como grande fornecedora de grãos para o mercado mundial. Ela pretende dobrar suas exportações de grãos dentro de 15 anos e elevar sua colheita em 50%.
OBJETIVO 2: Atingir o ensino básico universal
A Rússia possui um dos níveis de analfabetismo
mais baixos do mundo - apenas 0,6%. Ou, em termos de alfabetização, 99,4% da população sabe
ler e escrever. Isto deve-se ao
sistema educacional criado durante a era da URSS (era em que praticamente 100% da
população sabia ler e escrever). Cerca de três milhões de estudantes estavam
inscritos em cerca de 519 institutos superiores e em 48 universidades. Com
grande ênfase à Ciência e à Tecnologia, quase todos os estudantes acabavam os
cursos com diplomas de altas referências e qualidades.
A Rússia está em primeiro lugar no mundo em número de pessoas com
formação superior. 54% dos russos entre os 25 e os 64 anos têm um diploma
universitário, os dados foram publicados pela Organização Internacional para a
Cooperação e Desenvolvimento Econômico.
Hoje em dia, a Rússia possui 618
institutos superiores de educação
pertencentes ao Estado - todos eles com referências do governo. No ano letivo
de 2003/2004, 5 947 500 de estudantes estavam inscritos em institutos
superiores. Ainda existem outros 619 institutos privados, dos quais metade têm
também referência do governo russo.
Anualmente o Ministério da Educação e Ciência da Federação da
Rússia e o Governo de Moscovo oferecem bolsas de estudo para as instituições de
ensino superior estatal para crianças talentosas do estrangeiro.
As bolsas são repartidas entre os compatriotas e cidadãos do
estrangeiro através de embaixadas russas e representações de
Rossotrudnichestvo. O privilégio têm os vencedores das olimpiadas de língua
russa e concursos de história e cultura da Rússia, que são feitas anualmente
pelas agências no estrangeiro.
A possibilidade de ensino pelos programas educacionas russos o
mais acessível é a educação a distância. O desenvolvimento notável obtiveram os
metodos de ensino à distância de rede e de televisão. São criados livros
electrónicos e multimedia, programas de ensino computorizados, metodos de
utilização destes programas.
A Rússia é um membro do acordo de Bolonha na Europa sobre normas
comuns da educação e, juntamente com os diplomas tradicionais da Rússia,
Escolas de ensino superiores russas emitidas e pedidas dos diplomas europeus de
bacharelado e mestrado.
Sistema e qualidade de educação da Rússia permitiram que o país
não apenas o primeiro ir e explorar o espaço, mas também a confiança necessária
para salvar a posição de liderança do mundo em todos os campos da ciência
fundamental.
OBJETIVO 3: Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das
mulheres
O rígido papel social de gênero, que já foi regra no mundo inteiro
e experimentou importantes transformações no Ocidente no último século, ainda
faz parte do sentido comum das relações sociais na Rússia contemporânea. Para a
maioria dos russos, estes papeis sociais é apenas uma tradição do país. E que
devem ser respeitados e mantidos.
Isso não quer dizer, no entanto, que as russas dependam dos seus
"provedores masculinos". O sufrágio feminino foi garantido na Rússia
em 1917, após a Revolução Russa, bem antes da maioria dos países do mundo. A
segregação de gênero foi abolida na Rússia em 1718 e em 1786 foram abertas no
Brasil escolas para mulheres (no Brasil, por exemplo, isso só aconteceu em
1827).
“Os russos não são machistas. A questão é que não houve um processo
de emancipação com luta por direitos. As russas foram obrigadas a trabalhar
como os russos. É algo cultural e explicado pela história”, conta o estudante
francês Jean Tibault. “Se formos analisar tudo a partir dos nossos olhos
ocidentais, vamos ver machismo em cada situação aqui na Rússia”.
No entanto, na Rússia, por força de causas histórico-culturais, ao
lado do estilo agressivo de direção, as mulheres praticam com êxito o papel de
líder-mãe, o que está mais perto de sua essência natural – assinala a membro do
conselho coordenador do Centro moscovita de Pesquisas de Gênero, Elena
Mezentseva.
"Na Rússia estão presentes dois tipos de mulheres-dirigentes.
Por um lado, as mulheres que reproduzem o tipo masculino de direção e que está
próximo dos resultados que os pesquisadores alemães conseguiram. Por outro
lado, temos mulheres que se consideram dirigentes no papel de donas de sua
empresa, ou até mesmo no papel maternal em relação a seus colaboradores. Elas
são mais cuidadosas, dão mais atenção ao componente social".
Os
especialistas têm dificuldade em dizer qual destes dois estilos de conduta de
mulheres-líderes é o mais correto. Mas concordam em uma coisa – tanto na
Rússia, como no Ocidente a mulher-dirigente atrai maior atenção para sua
atividade e os seus erros são mais notados do que os erros de cálculo dos
colegas homens.
A Rússia ficou na 132ª posição (de 146 países estudados)
no Índice de Desigualdade de Gênero, que mede a disparidade de gênero no mundo.
A participação da mulher na política russa (11,1%, em 2012) também foi
considerada baixa, mas ainda assim é um pouco maior que no Brasil, onde apenas
9,6% dos postos políticos são ocupados por mulheres.
OBJETIVO 4: Reduzir a mortalidade infantil
Tinha, em 2006, 142 893 540 habitantes. As taxas de
natalidade e de mortalidade são, respetivamente, de 9,95%o e 14,65%o. A
esperança média de vida é de 67,08 anos. O valor do Índice de Desenvolvimento
Humano (IDH) é de 0,779 e o valor do Índice de Desenvolvimento ajustado ao
Género é de 0,774 (2001).
Nos últimos 30 anos a Rússia conseguiu reduzir a
mortalidade infantil em três vezes. Nos últimos cinco anos, a taxa de
mortalidade infantil caiu em 26,5 por cento, anunciou a Ministra da Saúde e
Desenvolvimento Social Tatyana Golikova na abertura do Primeiro Fórum
Internacional "Caminhos para a redução da mortalidade infantil: A
experiência russa".
"Segundo a OMS, no mundo a cada ano morrem cerca de
8 milhões de crianças menores de 5 anos, dos quais quase 40 por cento
contabilizados são lactentes e crianças no primeiro mês de vida," - a
ministra identifica o problema. Ela observou que a Rússia poderia compartilhar
uma vasta experiência de redução da mortalidade infantil.
Alguns programas contribuíram para a resolução deste problema.
Em particular, o programa "certidão de nascimento" melhorou a
qualidade dos cuidados médicos para mulheres grávidas e recém-nascidos, assim
como o interesse crescente das mulheres no tratamento pré-natal com um médico.
Como resultado, hoje na Rússia até 98% das mulheres recorrem a clínicas
pré-natais no início da gravidez.
Valentina Shirokova, em um congresso para pediatras da
Rússia no ano de 2012, afirmou que a mortalidade infantil diminuiu 7,3 % e a
tendência é diminuir ainda mais.
OBJETIVO 5: Melhorar a saúde materna
Mortalidade maternal na Rússia caiu em 55% desde 2005. De
acordo com um relatório de 2012 da Organização Mundial de Saúde,
aproximadamente 800 mulheres no mundo inteiro morrem diariamente por causas
evitáveis relacionadas à gravidez e ao parto. O gasto em saúde na Índia é quase
16 vezes menor que o do Brasil e cerca de 12 vezes mais baixo que o da Rússia. A
Rússia se notabiliza por investimentos públicos mais elevados em saúde,
resultando em baixas taxas de mortalidade infantil e materna. No entanto, sua
esperança de vida é menor que a da China e Brasil, notadamente pela mortalidade
adulta precoce por doenças crônicas, associada a elevados fatores de risco como
o alcoolismo e o tabagismo.
O risco de uma mulher morrer durante o parto em um país
em desenvolvimento é de um entre sete, quando nos países mais avançados é de um
entre 30 mil, segundo a entidade. O problema, dizem as organizações, não é a
falta de avanços médicos, mas de fundos, por isso reivindicavam ao G8 que
mobilizasse o dinheiro suficiente (US$ 5 bilhões para saúde materna) para poder
cumprir com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, que estabelecem que até
2015 as mortes de crianças menores de cinco anos devem ser só um terço das que
eram em 1990, e as das mães, um quarto.
OBJETIVO 6: Combater o HIV/Aids, a malária e outras
doenças
A Federação Russa e a UNAIDS lançaram um novo Programa de
Cooperação Regional de Assistência Técnica para o HIV e outras doenças
infecciosas na Comunidade de Estados Independentes (CEI). O Programa de U$ 16
milhões, financiado pelo Governo da Rússia, foi lançado durante a Cúpula Civil
G20 que teve lugar em Moscou, 11-13 de junho.
O programa, que será executado a partir de 2013-2015,
será implementado pelo Serviço Federal de Proteção dos Direitos dos clientes e
bem-estar humano de Vigilância Sanitária, UNAIDS, organizações regionais da
sociedade civil e parceiros em quatro países parceiros-Armênia, Quirguistão,
Tadjiquistão e Uzbequistão.
Gennadiy Onishchenko, chefe de Rospoterbnadzor enfatizou
que o programa "vai reforçar os sistemas de saúde, garantir uma melhor
vigilância epidemiológica do HIV, e promover a escala dos programas de
prevenção do HIV para as populações chave com maior risco de HIV, especialmente
os migrantes".
Este novo programa vai apoiar os países parceiros para
explorar novas fontes de financiamento para sustentar e ampliar suas respostas.
Rumo a um modelo de financiamento sustentável será a chave para o sucesso
futuro no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio até 2015.
Desde 2006, o governo russo já destinou mais de EUA $ 500
milhões para apoiar programas internacionais para reduzir a propagação de
doenças infecciosas, incluindo HIV. Uma parte significativa do apoio da Rússia
está focada em assistência técnica aos países da CEI, na forma de equipamentos
e suprimentos de laboratório, sistemas de teste e treinamento. Experiência
russa também é usado para fortalecer as capacidades nacionais para o controle
de doenças infecciosas através da transferência de conhecimento e troca de
conhecimentos. Doenças infecciosas, incluindo HIV, estarão na agenda do G8 como
uma prioridade do Governo russo, uma vez que assume o seu papel de presidente
do G8 em 2014.
OBJETIVO 7: Garantir a sustentabilidade ambiental
A Rússia tem muitos problemas nas questões ecológicas,
tanto na emissão de gases estufa quanto no campo da poluição ambiental. O
consumo de energia na Rússia ultrapassa cerca de duas vezes e meia o consumo
médio de energia no mundo inteiro, e em três vezes e meia o consumo de energia
nos países desenvolvidos.
Rússia ocupa a 69ª posição em ranking de sustentabilidade
ambiental entre os países com melhor gestão no controle da poluição ambiental e
nos recursos naturais, segundo um ranking publicado em 2010 no Fórum Econômico
Mundial de Davos, na Suíça.
As maiores exportações da Rússia são seus recursos
naturais – particularmente hidrocarbonetos. Em 2005, a Rússia era o 15º maior
exportador mundial com pouco mais de 2% do comércio em mercadorias, quase a
metade do total destinado à União Européia (OMC, 2005), mas se encontra entre
os 10 principais exportadores de peixe. A Rússia também é o terceiro maior
consumidor de energia do mundo. Em relação à intensidade de emissões de CO2 ao
PIB, a Rússia é de longe o campeão entre os países BRICS.
Analisando o relatório que está sendo preparado pelo
governo russo para a Conferência Sobre Meio Ambiente Rio+20, podemos reparar
que a Rússia está indo na direção errada. Diante dos problemas mundiais sérios,
como mudanças climáticas, a Rússia prioriza a questão de recebimento de capital
ao invés de modernizar os processos industriais e de extração de
hidrocarbonetos.
OBJETIVO 8: Estabelecer uma Parceria Mundial para o
Desenvolvimento
Entre os 8 Objetivos do Milênio, não se pode apontar um
como o mais importante. Mas, sem dúvida, se o oitavo objetivo for alcançado, o
cumprimento de todos os outros será facilitado. Ele diz respeito à necessidade
de todo o mundo juntar esforços para reduzir internacionalmente as
desigualdades e de fazer do planeta um ambiente mais favorável ao
desenvolvimento de todos — países pobres e ricos —, especialmente nas áreas de
comércio e finanças internacionais.
Os líderes das oito potências mais industrializadas (G8) advertiram que a recuperação da economia é
ainda "frágil", com as consequências da crise comprometendo o plano
social - a realização e desenvolvimento das Metas do Milênio, estabelecidas
pelas Nações Unidas.
De acordo com o texto obtido com antecedência pela AFP, a
lentidão da economia comprometeu esforços em prol dos objetivos sociais
estabelecidos pelas Nações Unidas, pelo que "tanto os países mais ricos
quanto os em desenvolvimento devem fazer mais". O comunicado final não
mencionou a possibilidade de criação de uma taxa sobre os bancos, uma
possibilidade debatida depois dos enormes gastos com dinheiro público durante a
crise financeira vivida pelos países ricos.
REFERÊNCIAS:


